quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Sobre Pichação e Educação

    A Escola deve punir. Esse é um pressuposto básico, para que a ordem seja necessariamente mantida.
    Houve o ato de pichação, qual a posição do(a ) prof.(a) em arte?
    Não adianta aludir às pinturas rupestres e ao atavismo humano de rabiscar nas paredes.
    Vivemos num mundo onde a comunicação não tem precedente. Redes sociais de entes isolados.
    Cabe julgar, qualificar e, portanto, quantificar atitude do(s) agressor(es)?
    Se optarmos pela solução da agressão, devemos fazer uma pergunta:
    “Quem agride quem”?
    Nossa escola é periférica, o mundo que ora vigora, não trás felicidade nem sentido em prol da escolaridade.
    Que vantagem há num sucesso inexistente? Alunos, que às vezes frequentam as aulas de chinelos no inverno.
    Sim, o patrimônio é público, mas, quem paga por ele?
    Na minha escola, os pais são: traficantes, catadores de lixo, o “tio” do bar da esquina, professores, da polícia, dos Santos, candomblés, pastores, padres.
    Esse cabedal incongruente forja o ânimo da nossa gente escolar.
    Foi depredado(a) muro/parede da escola. Cabe se perguntar: Quantas depredações vivem? Alunos, numa escola (muitos) analfabetos funcionais (não há como dar a devida atenção a todos). No entanto, somos cobrados, como seres ativos que somos, na sociedade, como professore(as) de artes nas escolas, por exemplo.
    Fazendo um trocadilho com o título de uma famosa obra de Foucault: “Vigiar, faz parte de punir”. Punir a quem? A alguém que deseja manifestar sua indignação e/ou sentido de beleza para o mundo?
     É claro que, moralmente, sejamos invitados a trabalhar a questão da pichação, como um crime.
    Segundo Edgar Morin, na obra: Para Sair do Século XX, é mister despirmo-nos dos preconceitos, dos quais fomos eivados, devido aos anos de propaganda-militante a que o mundo foi submetido no período da guerra fria.
    Não defendo a punição, todavia, nada que água e/ou tinta não resolvam.
    Por que não, indagar os motivos dessa “rebeldia”?
    Quem, nunca rabiscou numa parede?
    Vamos intuir, então, a possibilidade expressiva e trazer isso à “contenção” do papel a dinâmica de, talvez socorro ao que a pichação implica.
    Condenar é fácil, quanto à beleza, questão sem solução unívoca e unilateral.
    Na comunidade escolar, isso incomoda a quem?
    Seria neutro repetir a ladainha do: “Não tô matâno nem robâno...”
    Mas, e quanto à expressão? E aquele grito libertário dado pela modernidade, cansou de ecoar? E o conteúdo do que foi exposto? Deglutido pelo sistema e vendido a peso de ouro no mercado de arte ao qual, de alguma forma, contestavam?
    Sim, é andar na lâmina, mas, se o agente for de antemão culpado, quem será o inocente?
    Vivemos num Estado de Direito, ou não?
    Para concluir:
Atividade:
Elaborar uma pesquisa sobre como a comunidade escolar percebeu essa “agressão”.
Dependendo das respostas, creio que uma sairá entendida:
“A delinquência intramuros não se justifica. Mas, ainda bem que vai longe o tempo em que a palmatória a tudo resolvia”.


José Silvio Amaral Camargo
Aluno do Instituo de Artes UFRGS
                                                                                             Licenciatura

   

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