quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

TEXTO SOBRE SEXUALIDADE

"É mais fácil destruir um átomo do que um preconceito"
Albert Einstein




Habitamos um mundo de representações. E todas elas significando seu acúmulo no tempo e na cultura em que foram concebidas.
Essa introdução é para balizar a seguinte afirmação:
"A sexualidade é inerente ao ser humano e suas representações também".
O que desejo afirmar com isso?
Que a sexualidade também é (em grande parte) um produto cultural.
Como professores atuando na área das artes (portanto, das representações) podemos, (de acordo com a faixa etária) e as respectivas realidades, ver como se representam, e às suas diferenças.
A sexualidade é (portanto) um tema complexo e iterdisciplinar que requer a intervenção de todo um aparato do conhecimento nas áreas da biologia, psicologia, sociologia, antropologia etc.
Logo, o professor de artes é um desses elementos que compõe a cadeia escolar.
Tentar mostrar representações de outras crianças/adolescentes sobre o tema: menino/menina, homem/mulher, para que tentemos "ler"os diversos comportamentos e visões que as sociedades têm acerca de si, devido a influência mais laica ou religiosa que impera nos Estados referidos (pode-se utilizar imagens de diferentes culturas).
A sexualidade, como representação supera, então, a questão do: (como se vê para: onde se vê)?
Na minha escola, Afonso Guerreiro Lima na Lomba do Pinheiro zona leste da capital, o pessoal da área da saúde levou uma cartilha sobre sexualidade, onde se viam o desenho técnico dos órgãos sexuais e suas representações estilísticas (inclusive com desenhos de relações sexuais).
A cartilha causou furor entre o corpo docente contestando seu conteúdo como algo quase pornográfico.
No entanto, devido a região em que a escola se encontra e a baixa renda da maioria das famílias dos alunos, o que "força"as pessoas a se apertarem em poucos metros quadrados, ocasionando uma intimidade.
Pelo linguajar deles, repleto de bucetas e caralhos, chega-se a conclusão óbvia que aquelas crianças conhecem a forma como vêm ao mundo. Devido a essa convivência, vêem seus órgãos sexuais com alguma frequência.
A lição passa a ser: como evitar a gravidez precoce, as Dsts, etc.
Há neles, em geral, um grande preconceito em relação à homossexualidade. Os "diferentes"são aceitos, mas não são totalmente incluídos no grande grupo, existindo como uma espécie de gueto.
Também há estereótipos em relação ao papel do homem e mulher (por exemplo, uma rigidez com as meninas "correndo"atras dos meninos e os mesmos, "se fazendo".
O/a porfessor/a de artes pode, então, trabalhar com as representações de várias culturas acerca do tema básico menino/menina-homem/mulher, de diversas épocas, estabelecendo um diálogo sobre como se deu aquele fazer artístico em relação a cultura que o produziu.
Como é o caso da minha escola, que, dentro da mesma cidade reflete as formas distintas de encarar a questão da sexualidade, devido a renda e a informação (de forma mais "crua", natural ou mais "romântica", ideal).
Embora tenhamos mídias nos dias atuais que (uniformizam a informação, mas não os costumes) é prudente que o/a professor/a de artes recorra às demais áreas já citadas do conhecimento quando supor (dentro de seus preceitos) que algo (postura, questionamentos, exibições) extrava sua competência.
Somos pessoas que trabalham com o elemento sensível, mas isso por si só, não nos torna "solucionadores de todos os problemas". Pelo contrário, devido a nossa matéria, as vezes trazemos mais uns...
Quanto a cartilha, foi distribuída após acerbo debate e considerada pelos alunos "coisa de criança"devido a alguns exemplos de revistas trazidas por eles de casa.

José Silvio Amaral Camargo
Aluno de Licenciatura em Artes Visuais UFRGS

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